Joaquim Agostinho, o Rei das Estradas
Foi um notável ciclista, nascido no dia 7 de Abril de 1943, numa pequena vila, desconhecida para quase todos, chamada Brejenjas, no concelho de Torres Vedras. Viria a morrer, estupidamente diga-se, 41 anos mais tarde, em 10 de Maio de 1984, depois de 10 dias em coma, na sequência de uma queda sofrida numa etapa da Volta ao Algarve.
Foi um autêntico fenómeno na modalidade, o melhor ciclista português de todos os tempos que se iniciou já tarde no ciclismo graças ao vizinho e amigo João Roque (também ele um campeão), que o levou a treinar no Sporting.
Em 1968, consegue a sua primeira grande proeza, ao terminar a Volta a Portugal no 2º lugar, prova que venceria em 1970, 1971 (ano em foi eleito o melhor desportista português) e 1972.
A nível internacional, ganhou a primeira etapa no “Tour de France ”em 1969, terminando no 8º lugar da classificação geral. Nas presenças seguintes na maior prova velocipédica do mundo – onde venceria 5 etapas, entre elas a do “mítico” Alpe d’Huez -, seria 14° em 1970; 5° em 1971; 8° em 1972 e 1973; 6° em 1974; 15° em 1975; 13° em 1977; 3° em 1978 e 1979 (no auge da carreira, completando o pódio com os campeões Bernard Hinault e Joop Zoetemelk); 5° em 1980; e, já com 40 anos, 11° em 1983 (a escassos segundos do 10º lugar que lhe daria a glória nos Champs Elysées).
Na “Vuelta” à Espanha, foi também 2º em 1974, 6º em 1973, 7º em 1976 e 15º em 1977.
No início de Maio de 1984, na Volta ao Algarve, teria a sua última queda, provocada por um cão que se lhe atravessou à frente da bicicleta, ao cortar a meta em Quarteira. Aos 41 anos, Joaquim Agostinho vestia a camisola amarela de líder da prova. Foi com ela vestida que terminou a carreira e a vida.
Ainda foi para o hotel, mas as queixas fizeram suspeitar que a queda teria sido grave; devido à indisponibilidade de meios aéreos, foi transportado de ambulância para Lisboa. Ao fim de dez dias em coma, a 10 de Maio de 1984, o campeão entrava na imortalidade. Se houvesse na altura no Algarve os meios necessários ao tratamento imediato e adequado à situação, Agostinho certamente ainda estaria entre nós.
Morreu como sempre "correu"... de amarelo vestido.


